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Um milhão de pequenas coisas

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Estamos sem a Vó Ana há 1 ano e 3 meses, mas ela está ainda mais conosco há 1 ano e 3 meses.

Para quem não sabe, Vó Ana é na verdade nossa tia, irmã da minha mãe. Mas quando meu irmão mais velho, o Fernando, começou a querer falar, fez um novo e o mais apropriado batismo dela e desde então ela se tornou a nossa Vó Ana. Ele era, descaradamente, o preferido dela. Hoje sou especialista em doce de leite por conta disso, ela sempre fazia doce quando ele pedia e na minha vez, fazia de má vontade, mudava a receita…

Eu acredito que algumas histórias, alguns encontros estão previamente combinados mesmo e acho que esse é o caso dos dois, eles só se reencontraram aqui.

Depois da passagem dela, meu irmão fez uma coisa que achei a mais perfeita e emocionante homenagem a ela: ele pegou a máquina de costura dela e mais algumas peças que são a cara dela e mandou restaurar e emoldurar. Quando soube achei o máximo, quando vi pronto achei mais máximo ainda.

Posso afirmar, sem medo de errar, que a maioria dos traumas meus e dos meus outros 3 irmãos devemos a ela. Um deles, clássico, era carregar essa máquina de costura pela casa. Ela deve ter ocupado espaço em cada um dos cômodos da casa. Lá um dia a Vó Ana resolvia colocar a bendita máquina em um lugar. A gente falava: “Tem certeza que cabe nesse lugar? Olha que não vai dar…” Enfim, gastávamos todo o nosso curto repertório de argumentos, mas sempre éramos vencidos pela insistência dela. Vó Ana sempre vencia a gente pelo cansaço. E lá íamos nós carregando esse peso pra chegar no lugar que ela queria e claro, a máquina não cabia. Óbvio!

A máquina tem, por baixo, uns 150 anos e estava bem judiada. Vê-la restaurada e imaginar a cara da Vó Ana foi o melhor. Meu irmão ficou igual criança, orgulhoso de ter podido fazer essa homenagem. E rimos muito quando pegamos a máquina no restaurador para levar pra casa e nos pegamos, mais uma vez, tendo que carregar a máquina da Vó Ana de um lado pro outro.

Meu irmão fez tudo isso só por carinho e saudade mesmo. Um jeito de eternizar a Vó Ana, não só em nós, mas também fisicamente com a presença dessas peças que já chamamos de museu, porque tem muita coisa bacana como ferro de passar a carvão, moedor de café, escovão…tudo repleto de histórias.

Todas as coisas já passando por esse processo de restauração e minha mãe foi mexer em umas caixas de documentos da Vó Ana. E não é que ela também tinha um museu do Fernando?  Ela guardava coisas que ninguém imaginava e algumas relíquias como o diploma dele de conclusão do Caminho da Fé e até o ingresso de um jogo do Flamengo no Maracanã em 1983, pouco antes do Mengão de Zico ser campeão do mundo em 1984.

Hoje se teoriza muito o amor, Vó Ana praticava. E mesmo depois de sua partida deixou o maior e melhor ensinamento: que amor mesmo é um milhão de pequenas coisas. E é bacana ver que a lição foi aprendida e meu irmão, sem fazer a menor ideia, retribuiu a altura com essa coleção de pequenas coisas que agora são enormes pra nós.

Sim Vó Ana, o amor é mesmo um milhão de pequenas coisas e a senhora foi a melhor praticante disso!

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